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riscos_e_rabiscos

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O Primeiro Dia Da Bea(it)ch.

Nem vale a pena começar por dizer que estava um calor infernal. Saí de casa às 7 da manhã a pensar que estaria fresquito mas estava redondamente enganada. Às 7 e pouco já os termómetros de rua acusavam 25 graus.

 

Apanhei a catrefada de camionetas em direcção ao convento com um bad feeling. O que eu previa nos meus pensamentos mais remotos e pouco prováveis aconteceu! Eu explico: Para acompanhar os alunos das turmas que vão para a praia, vai um professor e uma auxiliar. Ora eu podia ir com todas as turmas menos com uma, a da santinha-do-pau-oco, uma vez que os miúdos não são meus alunos. É que a santinha-do-pau-oco quis dar inglês à sua turma. Sabem, é que ela trabalha muuuuuuito, até sai do convento às 9 da noite!!!! Ah, esqueci-me de dizer em que fica a trabalhar: a DAR GRAXA à mana-directora e sua trupe!!!

 

E não é que me calhou mesmo na rifa acompanhar a santinha-do-pau-oco? Acreditam nisto?!?!?! Resultado, os putos não me conhecem e não ligam nenhuma ao que eu digo. A santinha-do-pau-oco é do género “não faço que alguém há-de fazer” e os desgraçados dos putos do 1º ano é que ficam a assar! Ora eu, que me faz uma comichão do caraças estas coisas, pus logo tudo a andar numa fona!

 

Admite-se que com um calor destes se deixe as crianças ao sol à espera tempos infinitos porque a santinha-do-pau-oco e a mana do zoo – que vem na nossa camioneta – sejam umas desorganizadas do caraças e esteja cada coisa para seu lado? Passou-me a primeira coisinha má pelas vistas, peguei nos putos todos e fomos abancar para a praia. Senão a santinha-do-pau-oco não saia dali. A mana do zoo já se sabe como é.

 

Como se EU não bastasse, a prof. de música também foi “destacada” para acompanhar a santinha e os seus diabinhos anjinhos. Três marmanjas para acompanhar 17 putos…

Resultado, a santinha estava à espera que a dupla de desgraçadas (eu e a minha colega) fizéssemos tudo! Colocar protector solar nas crianças, mandar vestir e despir, olhar por eles, irmos para a água com eles e por aí afora. Como lhe topei o esquema, só fiz o que me competia para que as crianças não fossem prejudicadas por esta abécula, quer dizer, santinha.

 

Hora de ir à água. A santinha-do-pau-oco desengonçou-se por todos os lados enquanto formava fila com os putos já descascados e prontos para irem à água. Mais uma espera. Lá veio sua santidade com os restantes diabinhos anjinhos e em vez de alinhar à frente dos que já lá estavam, pois era onde ainda havia espaço, resolveu que os queria entrincheirar no meio de duas turmas. Lá vai aqui a rezingona pedir para passarem para a frente. Será que estas coisas não discorrem à santinha-do.pau-oco?

 

Só um aparte: ainda não vos confidenciei que a santinha-do-pau-oco é anti-social, não se mistura com os comuns mortais, e muitas vezes nem nos dirige a palavra, roçando a falta de educação. Outra coisa curiosa é que ela isola os seus diabinhos anjinhos das outras crianças, prática esta, de resto, já utilizada pela mana do zoo. Resultado obtido: crianças anti-sociais, desregradas e que não sabem conviver com outros colegas senão aqueles a que estão habituados. Adiante!

 

Da parte da tarde temos mata. Sempre nos safamos mais um bocadinho ao calor. Almoçámos em conjunto e depois foi hora de brincadeira. É usual deixarmos os miúdos andarem a brincar à vontade sob o nosso olhar. Mas até aqui sua santidade teve de dar um ar da sua graça. Em vez de se juntar aos colegas e auxiliares para confraternizar um pouco, optou por andar a esfregar-se na areia castanha que deixa tudo cagado sujo. God gracious!

 

Mais uma vez tive de “puxar a carroça” à hora de regressar ao convento. Deu-me a segunda coisinha má e pus tudo em sentido a recolher as suas coisitas e a fazer fila atrás de mim. Ficaram dois ou três para trás com a santinha-do-pau-oco enquanto estes subiam para o autocarro.

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Durante a época balnear vou criar a rubrica MOMENTO DO DIA, cujo objectivo será o de partilhar convosco algo engraçado. Assim, cá vamos ao primeiro…

 

MOMENTO DO DIA    

 

(Para a prof. de música)

- Ó professora, apanhaste um caldeirão… !

 

(Para a prof. E.)

- A irmã mandou perguntar onde estava a caixa dos primeiros chocos

 

Semana Oficial de Pipocas da Blogosfera!!!

                                                 

 

 

Declaro formalmente aberta no meu blog a Semana Oficial de Pipocas da Blogosfera!!!

Tal como a amiga M. diz, as pipocas são absolutamente viciantes, deliciosas e docinhas! Vamos lá cometer um pecado... só desta vez! :)))

Eu já cometi o meu. E tu?

 

 

 

Halloween - Eles Andem Aí...

                                       

 

Como todos sabem, ou penso que sabem, esta noite comemora-se o Halloween ou o dia das bruxas, como lhes queiram chamar.

Mais uma vez, esta tradição foi copiada dos países anglosaxónicos e, mais uma vez, tem o consumismo por trás.

Eu, como comum mortal e teacher, também aderi a esta comemoração. Primeiro dentro da sala de aula como componente cultural, depois cá fora com os amigos. Devo dizer que acabo por me divertir mais dentro da sala de aula.

Cá fora, houve algumas alturas que nos mascarámos e fomos dar uns giros pela night. Lembro-me de uma noite em que nos vestimos todas de bruxa – o jeitaço que a capa do traje académico deu! -, pintámos olhos, dentes e ripámos o cabelo. Resultado: ninguém nos conhecia… LOL! Estávamos mais feias que a noite dos trovões!!!

 

Mas devo fazer aqui um reparo. Em Portugal já tínhamos a tradição do dia de todos os santos em algumas partes dos nosso país.

Na terra do meu pai, que fica na zona de Santarém, é muito engraçado. A tradição lá é pedir o ”pão por Deus”. Reune-se toda e só a malta jovem e vai-se de casa em casa comer iguarias fabulosas. Toda a gente tem a mesa posta e a malta vai encher a barriguinha de coisas boas.

Quando eu era miúda, gostava muito disto. Ia com a minha prima que é mais ou menos da minha idade e com os amigos dela. E claro que pelo meio haviam os namoricos às escondidas, os encontros furtivos, o fugir de fulano/a tal… Era muito giro. Agora não sei se ainda se manterá. Mas tenho boas recordações desta altura.

 

Esta noite tenho comigo o maior diabinho existente ao cimo da terra: o N. E como é altura deestas coisas “halloweenescas” andarem por aí, eu tive direito a um bónus extra! O N. tive direito a fim de semana prolongado! WEEEEE!!!

Mas eu tenho de ir vergar a mola na sexta-feira… pontes, it’s not for me! :/

 

Vou acabar de arranjar as minhas coisas para apanhar boleia no tridente do meu diabinho! Óptimo halloween para todos!

 

 

O Pecado da Gula

 

Convidei a minha amiga S. para jantar lá em casa. Claro que o repasto tinha de ser de chorar por mais… e foi!

 

Não sabia o que havia de fazer mas eu e o N. tivemos a mesma ideia (ai, a sintonia é tanta!). E cada vez que o prato é este, temos sempre a companhia da S. para rasparmos o fundo ao tacho literalmente.

 

Ora um bom prato tem de ser acompanhado por um vinho excelente e por uma sobremesa de arromba. Mas desta vez não havia só uma sobremesa, havia três! Opa, já sei que somos uma cambada de gulosos mas é só de vez em quando. E é para manter o corpinho de lutadora de sumo…

 

 Como já devem ter adivinhado, fiz uma Paella para o nosso jantar. Acompanhámos com um vinho alentejano da Amareleja fabuloso que o N. foi buscar à sua garrafeira: Piteira. Alguém já provou? Só vos digo que é espantástico. Desliza que parece água e é muito saboroso. Ficámos fãs.

Não é para me gabar mas a paella estava excelente. Só lhe faltaram uns mexilhões que nem a cozinheira nem o ajudante se lembraram de comprar. Carreguei a paella de delícias do mar porque a S. gosta muito e eu também. Os camarões já não cabiam todos no tacho, por isso, coloquei ali aqueles que consegui e depois havia a “recarga”.

 

Acabada a parte salgada, iniciámos a parte dos doces. E agora aconselho a irem buscar um guardanapo ou um lenço de papel para se poderem babar à vontade.

A S. insistiu em trazer uma sobremesa, apesar dela saber que as minhas sobremesas  são óptimas. Mas devido ao adiantado da hora a que comecei fazer a sobremesa, não tinha a certeza de que ficaria pronta a tempo.

 

Então começámos pela primeira: Profiteroles com recheio de nata e cobertura de chocolate. Aqueci o chocolate em banho-maria, montei os profiteroles (que já vinham prontos) no prato e derramei o chocolate estrategicamente. Que horror… estavam espectaculares.

 

 

 

Depois fomos provar a sobremesa que eu fiz: Semi-frio de ananás. Eu bem andei à procura de morangos mas não encontrei… :/

Desenformei o semi-frio e levei para a mesa. Estava delicioso porque não estava demasiado doce  e o ananás dava-lhe um ligeiro travo ácido.

Já não aguentávamos mais tanta iguaria.

Rematámos o jantar com um café e um copinho do famoso licor de poejo. Chlep!

 

O jantar foi extremamente divertido, pusemos a conversa e a risota em dia. Mas não ficámos alcoolicamente bem-dispostos, apesar do vinho ser maravilhoso.

Ainda temos outra garrafinha de Piteira, mas desta vez tinto, já destinada para outro jantar…

 

 

Hoje há Festa no Alentejo!

Este post é dedicado à minha amiga S., ao primo J. e ao primo N., companheiros de diversão numa terra onde impera o calor e cuja única animação é a tradicional festa anual que se realiza – caso o padre não lhe mude a data – a 15 de Agosto.
 
A festa é igual a todas as outras de tantas terras: touradas (com fartura), quermesses, bailes e procissões.
Mas para nós era um motivo de reencontro, de diversão e até para alguns, de rédea solta.
 
O calor, em Agosto no Alentejo, arde na pele. Ou nos levantamos muito cedo e podemos andar na rua até às 10.30-11 horas, o que é pouco provável em época de festa, ou então só podemos sair ao fim da tarde.
 
Mas nós íamos sempre tomar o nosso café à taberna com menos mau aspecto da terra e a que nós chamamos de café. Claro que quando as meninas de Lisboa lá entravam, éramos observadas de alto a baixo e as línguas mais ferinas faziam comentários toscos.
Acontece que nem sempre ficávamos ali pela terra. Mesmo com um sol abrasador a esturricar os miolos, lá íamos nós de carro a outra terra qualquer tomar café. Nem que fosse para mudar de “calor”.
 
À noite encontrávamo-nos sempre. Geralmente íamos buscar-nos uns aos outros ou então encontrávamo-nos no recinto da festa à hora marcada. Íamos todos aperaltados não só para impressionar alguém que estivesse “debaixo de olho” mas também porque as cuscas da terra reparavam nas nossas fatiotas.
Depois, passávamos a noite inteira para cima e para baixo: entre uma garrafa de água e outra, ora íamos ao parque – onde o pessoal ia fumar um cigarrinho às escondidas ou onde se marcavam encontros furtivos com namorados – ora íamos até ao recinto de baile.
O primo N. era o par preferido das miúdas. Era o puto mais giro do baile e não dava vazão às fãs.
 
As histórias passadas nesta terra são imensas. Eu costumava ir dormir a casa da M. que costumava marcar encontros nocturnos com os namorados no quarto dela. Nunca mais me esqueço de um que se passou no Natal. À hora do encontro marcado, ela precisou de ir ao wc e foi mesmo nessa altura que o namorado resolveu bater à janela (sim, eles entravam pela janela!). Eu congelei. Ele continuava a bater insistentemente à janela e eu estava cheia de medo que alguém acordasse. Fui a correr chamá-la e quando regressávamos ao quarto, tropeçámos na árvore de Natal que caiu fazendo um grande estardalhaço. Glup! Não sei como é que ninguém acordou…
 
Houve ainda a história do homem sem uma perna. Esta foi passada no parque que fica numa ponta da aldeia. E a partir daqui é escuridão. Houve alguém que teimava que estava a ver um homem sem uma perna a caminhar normalmente a vir na sua direcção. Mas só ela é que o via, mais ninguém. Para ajudar à festa, começámos a ouvir um javali. Se o coração já estava apertado com a visão do “homem sem perna”, com o javali a rondar-nos a coisa começou a ficar mais assustadora. Acabámos por ir para casa cheios de medo.
 
Passaram alguns anos e o pessoal começou a ter namorado ou namorada a sério. O pior é que os parceiros não eram par para nós. Não gostavam de alinhar nas brincadeiras, mostravam sempre má cara para tudo e nunca tinham vontade de nada. E isto acabou por estragar a nossa diversão em terras do Alentejo.
 
A última vez que me lembro de estarmos no Alentejo juntos, já todos estavam comprometidos. A S. o J. e o N. são primos e ficavam todos na mesma casa – casa esta que tinha um poste da luz à porta sempre cheio de morcegos esvoaçantes! Argh! -, só eu é que era intrusa.
Nessa última noite, estávamos tão divertidos que resolvemos ficar mais um pouco no quintal deles a beber “Juquim Danieli” (Jack Daniels). Claro que a namorada do J. e o namorado da S., que nunca alinhavam em nada, foram para a cama. Lembraste S.? Bons velhos tempos.
 
Agora já nada é igual. Já não vamos à festa e raramente vamos ao Alentejo. Uns casaram, outros divorciaram-se, outros foram pais e outros estão à espera de serem pedidos em casamento. As vidas modificaram-se, as pessoas modificaram-se e as circunstâncias da vida também.
Mas pelo menos fica a memória de momentos tão felizes vividos em conjunto.
A S. será sempre uma irmã para mim, continuo a gostar muito do N. e do J. que eu considerava o meu melhor amigo. Afastou-se por um mal-entendido da parte dele e nunca resolvido. As pessoas mudam mesmo…